Precificação

Quanto Cobrar no Geladinho Gourmet para Festa?

Por Talita — Donnatali Gelados Publicado em 6 min de leitura

Chega uma mensagem: "Oi! Você faz geladinho para festa? Preciso de 50 para o aniversário da minha filha." E vem, quase junto, a pergunta que trava: quanto eu cobro?

É aí que muita gente erra. Pega o preço da venda avulsa, multiplica por 50 e manda. Só que uma encomenda para festa não é "quantidade de geladinhos × preço normal" — é um conjunto, com fatores que a venda do dia a dia não tem. Um deles, e talvez o mais importante: o geladinho de festa quase sempre é menor que o da venda avulsa, e isso muda o custo e o preço de cada unidade. Este artigo mostra o que considerar antes de cobrar geladinho gourmet para festa sem sair no prejuízo.

Se você ainda não definiu o seu preço de venda comum, comece por quanto cobrar no geladinho gourmet — este aqui parte do princípio de que você já tem esse número.

O preço do geladinho para festa é diferente do preço da venda comum?

Pode ser — e o motivo não é "festa é mais caro" nem "festa é mais barato". É que a encomenda muda a composição do que você está entregando. Um pedido para festa costuma envolver:

O preço final depende de quais desses itens entram no seu pedido. Um geladinho de festa menor tem custo de receita por unidade mais baixo — e costuma ter um preço de venda por unidade mais baixo também. Atenção a um detalhe: a embalagem não diminui junto. O saquinho e o adesivo continuam sendo os mesmos do tamanho padrão, então esse custo fica igual. Some a isso os extras (embalagem temática, personalização, entrega), e você vê por que a conta precisa ser feita por inteiro, e não no automático.

O que considerar antes de passar o preço para o cliente

Tamanho do geladinho. Este é o fator que mais passa despercebido. O geladinho de festa costuma ser menor que o da venda avulsa — cabe mais gente no evento, a cliente serve como "docinho" e não como sobremesa. Um geladinho menor leva menos receita por unidade, então o custo de produção por unidade cai — e o preço de venda por unidade também costuma cair. Mas cuidado: a embalagem não cai junto. O saquinho e o adesivo são os mesmos do tamanho padrão, então essa parte do custo continua igual, só que representando uma fatia maior do preço de uma unidade menor. Defina qual tamanho você vai entregar antes de fazer qualquer conta, porque é ele que muda os outros números.

Quantidade. Quanto maior o pedido, maior o impacto na sua produção, no seu tempo e no seu compromisso. 50 unidades para sábado significa organizar a semana em torno disso.

Tipo de geladinho. Produtos e sabores diferentes têm custos diferentes. Se a cliente pede o sabor mais caro do seu cardápio, a conta não é a mesma do sabor mais simples.

Embalagem e apresentação. Saquinho comum é uma coisa. Embalagem temática, etiqueta personalizada, laço, caixa — cada item desses tem custo e tempo, e precisa entrar no valor.

Entrega. Se você vai levar, o deslocamento (combustível, tempo, transporte gelado) faz parte da encomenda. Não é "cortesia" — é custo.

Prazo. Um pedido com quinze dias de antecedência cabe na sua rotina. Um pedido para depois de amanhã pode exigir virar a produção de cabeça para baixo — e isso tem valor.

Como pensar no preço de uma encomenda para festa

Uma encomenda de festa não se calcula pegando o preço avulso e multiplicando pela quantidade. Ela pede um olhar próprio, porque reúne fatores que a venda do dia a dia não tem.

O tamanho que você combinou entregar muda o custo por unidade e o preço de cada unidade. Os extras do pedido — embalagem temática, personalização, entrega, prazo apertado — entram por cima disso. E, no fim, vale a mesma checagem de sempre: somando todas as partes, a encomenda ainda deixa lucro?

A encomenda é analisada como um pacote, não como uma multiplicação.

Exemplo: uma encomenda de 50 geladinhos

Pense num pedido de 50 unidades para um aniversário. Comparado a vender 50 unidades avulsas ao longo da semana, algumas coisas mudam de lugar.

O geladinho da festa é menor, então cada unidade custa um pouco menos de receita — mas o saquinho e o adesivo continuam os mesmos e passam a representar uma fatia maior do custo de uma unidade pequena. Por cima entram a embalagem temática, a personalização e a entrega no dia. Nada disso existe na venda de balcão.

Por isso a proposta de uma encomenda não é "preço normal × quantidade" nem "preço normal com desconto" — é a soma de peças diferentes, e no fim ela só faz sentido se ainda deixar margem para você. Faça essa conta com os seus números reais e com o tamanho que você realmente vai entregar.

5 erros ao cobrar uma encomenda para festa

  1. Cobrar olhando só o preço do concorrente. Você não sabe o que está incluído no preço dele — nem se ele está lucrando.
  2. Esquecer os custos extras. Embalagem temática, etiqueta, laço e entrega somem da conta e viram prejuízo silencioso.
  3. Dar desconto sem analisar. "É bastante, faço por menos" — sem verificar se o "menos" ainda paga o trabalho.
  4. Aceitar quantidade ou prazo que não dá para cumprir. Entregar atrasado ou incompleto numa festa custa a sua reputação.
  5. Não deixar claro o que está incluído. Se a cliente achava que vinha embalado com tag e você entregou no saquinho comum, a encomenda "deu certo" e mesmo assim gerou frustração.

Preciso dar desconto para pedidos grandes?

Não necessariamente. Um pedido grande pode facilitar a produção (você faz tudo de uma vez) e a logística (uma entrega só). Mas também aumenta o volume de trabalho, a quantidade de embalagem e o tamanho do compromisso.

Desconto só faz sentido quando a conta continua fechando com folga depois dele. Se para dar 10% você precisa tirar do seu lucro, não é desconto — é você pagando para trabalhar.

O que precisa ficar combinado com o cliente

Antes de fechar, vale deixar tudo combinado por escrito — nem que seja numa mensagem. O ponto não é ter um formulário: é as duas terminarem a conversa com a mesma imagem na cabeça sobre o que a cliente vai receber, o que está e o que não está incluído, quanto custa e quando é a entrega.

Isso não é burocracia — é o que evita o mal-entendido em cima da hora, quando a festa já é amanhã e não dá mais para corrigir.

Uma encomenda pode ser uma ótima oportunidade para o seu negócio

Festas rendem pedidos maiores e colocam o seu geladinho na frente de dezenas de convidados que podem virar clientes. As encomendas são, inclusive, um dos canais de venda que mais crescem quando o produto é bom.

Mas o objetivo não é "vender muito" a qualquer preço. Uma boa encomenda é aquela que faz sentido para a cliente e é saudável para o negócio.

Transformar pedidos soltos em um negócio organizado — com preço, custo, lucro, vendas e rotina sob controle — é o que a Donnatali ensina há 8 anos. O blog te mostra como pensar; o passo a passo completo, com as contas e os modelos de proposta, faz parte da Plataforma GCN.

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Talita, da Donnatali Gelados
Talita — Donnatali Gelados

Criadora da Donnatali Gelados e dos cursos de geladinho gourmet. Escreve sobre produção, precificação, vendas, pontos de venda e gestão para quem quer viver do geladinho gourmet.

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